Sinopse da obra
O berço não é necessariamente o lugar onde nascemos, mas denota, de certa maneira, a origem de algum acontecimento que ocorreu com relevância na vida de determinada pessoa. Assim sendo, pode ser entendido como o significante do livro “Berço de Poemas”, codificado com duzentas poesias, que destoam diferentes temáticas em todo seu curso literário.
Este livro tem como proposta a busca pela relação interativa humana com o planeta a partir desse esboço poético estruturado em versos livres capaz do entendimento explícito na compreensão de determinadas questões de cunho social, que fará o caro leitor a incessante busca investigativa por diversos valores intelectuais.
Ao folhear o livro Berço de Poemas, o leitor é capaz de interagir com o que lê e buscar no seu entorno a resposta para suas perguntas, já que a leveza das poesias levará a novos horizontes através da sua construção poética. A contemporaneidade dos versos se fará presente na voz do ouvinte leitor para navegar mais além em cada página visitada.
Ademar de Sousa Maria
Detalhes
- Páginas: 244
- Encadernação: Brochura
- Ano da edição: 2023
- Editora Recanto das letras - São Paulo
- I.S.B.N.: 978-85-7142-162- 2
- Altura: 21,0 cm
- Largura: 14,0 cm
A esperança na fé de uma criança
Num gesto de fé
E coragem de uma criança,
Vive a esperança
Do dia que virá...
Pois tem um sonho...
Que sua vida possa mudar.
Pelo cansaço
Do dia que se foi,
Ainda tem forças para brincar;
Na força de ser ainda um menino,
Tem na alma, a coragem de um ser homem.
A fé,
A coragem,
É dom que ela tem,
Pois sabe que um outro a ti detém.
No amanhã pensa
Em dias melhores,
Na fé que o sertão possa ter
Aqueles brilhos dos verdes campos.
Ademar de Sousa Maria
7 de janeiro de 1984.
Belas praias
Nesta imponente Cidade Salvador
Existe o que de mais encantador, a natureza moldou,
Lindas praias têm nesta Terra;
Aos domingos e feriados,
Todos contemplam a sua nobreza na plenitude;
O balanço do mar, faz das suas águas...
O mais esplendido espetáculo.
Damas, homens e crianças,
Lá sempre estão a mergulharem em suas ondas,
E por instantes, as pessoas deitam-se na areia
Para seu corpo, o sol secar;
Suas planícies que são verdejantes
Aos olhos de quem a veem,
Fazem-se perderem nos horizontes.
Ademar de Sousa Maria
14 de abril de 1980.
Cidadania na alma
Sinto-me, pois,
Que um silenciar invade profundamente meu ser,
Em face das diversas situações de violência
Para com nosso semelhante;
E elevo-me em minhas reflexões, de maneira sábia,
Para não me desvirtuar diante daquilo que nos
envolve: guerras;
Tão discutido nesse imenso e majestoso Universo,
E se não o bastasse, direciona sua atenção
A mais intrigante de todas as invenções: armas
atômicas.
Eu percorro Hiroshima e Nagasaki em minha
concepção,
Sendo-as destruídas na última batalha,
E lá morreram gentes inocentes,
Como num inferno nunca vista, e tal catástrofe,
Ficou registrada em nossos corações, a marca da
demolição;
E lhes pergunto: é necessário exterminar outra
nação irmã?
Quando não percebem o mal que está diante de ti;
O homem não vive de saber destruir e sim,
O amor ao próximo na íntegra,
Pois só dessa maneira,
Faremos profunda cidadania na alma,
Tornando-o coeso na qualidade de pessoa humana.
Ademar de Sousa Maria
10
de novembro de 1987.
Dunas
Palmas
Das minhas mãos
Não mais apanham teus grãos,
Elas não te fazem
Como antes um afago.
Eu não mais te vejo
O transbordar do teu contentamento,
Pois minhas dunas
Não mais sorriam
No lugar que outrora existira.
Devoram-te,
Não tem hora,
Não escuta o reclamo
Das minhas dunas falarem.
Não sabem...
Não entendem...
Que elas são realidades,
E sempre pedem
Para as deixarem durar,
Como havia anteriormente, tua formação.
Dunas,
Que tantos anos e anos,
De um mesmo júbilo,
Que todos viam
Desse espetáculo
No duelar em tua vida.
Não vê
Que a nobreza
Está diante de seus pés,
Do encanto maior
Na força de ser....
Do saber
A todo momento duelar.
Ademar de Sousa
Maria
20 de abril de 1984.
Em direção
contrária à paz
Meu querer pela paz não desvaneceu,
E tento mostrar aos
homens
O quanto ela representa
Para nossa formação de cidadão;
Quando na verdade, nos leva a crer:
Não perpetuarem dessa virtude nos corações;
É o que nós testificamos em nosso cotidiano,
como:
Guerras, violências nos quatro cantos do
planeta;
Diante desse inconsequente espetáculo,
Temos o pleno juízo não o terem dessa
realeza;
E lhes perguntamos, sobretudo:
Mas como pode haver harmonia entre nós,
Quando não ousam banir o uso dos combates?
Sendo conhecedores inegáveis da tamanha
tragédia,
Ao transformarem esse magnífico Universo em
chama,
Como os fizeram em Hiroshima e Nagasaki,
Quando se fariam de profundo respeito
E compreensão para com o semelhante;
Procurem avaliar suas pretensiosas invenções
diante da vida,
Certamente verão que estão em direção
contrária a esse nobre ser, paz.
Ademar de Sousa Maria
3 de maio de 1987.
Força operária
Chega de tanta penúria, vamos todos nós,
Lutarmos por uma condição de vida
Digna para nossa família,
Pois é dessa força operária,
O braço direito de todo o patrão,
Que abolha o fruto para sua riqueza;
No entanto, só queremos que eles percebam
O quanto nós temos valor quando das nossas tarefas
Em seus empreendimentos; sobretudo,
A natureza nos aclarou:
Seres de participação social.
Ademar de Sousa Maria
26 de julho de 1986.
Grandeza interior
Tu vives rodeada de afetos,
E é dada a simplicidade plena,
Pela tamanha grandeza interior,
Por ser tão profundo, teus sentimentos.
O hoje, o amanhã,
Parece não haver
diferença em ti,
Ao proferir tuas
palavras e gestos fraternais,
Tornando-te engrandecida por seu semelhante;
E segue teu rumo, tão cintilante,
Para noutra dimensão,
Sempre a estender tua mão amiga.
Ademar de Sousa Maria
5 de julho de 1983.
Homem, um ser
distante da paz
Eu quero ser tão somente um somar da paz
Pela busca de sintonia em nosso interior;
Antes, porém, um homem aberto
A todas as ideologias em prol do semelhante;
Não serei senhor, sobretudo irmão,
No sentido de harmonia entre nós;
Se porventura não houver
Consonância em suas palavras,
Firmo dizer: não censurar o proferido;
Na verdade, entendo que os fazem distantes
Dessa realidade de união entre si,
Mas que saberei discernir
Desse fruto de negligência ao expor as suas
ideias.
Ademar de Sousa Maria
18 de julho de 1986.
Inversão de valores
Tudo é notável
Quando se busca a grandeza entre os homens;
Até porque fomos criados para apreciá-la
E não a inversão de valores como: terrorismo!
Segmento intolerável na vida da gente,
Mas será lógico findar pessoas inocentes
Ou quando alguém se faz pertencer da mesma
ação?
Vamos ser mais humanos diante de tudo
Que há em nossa esfera terrestre,
Pois somente dessa maneira,
Haveremos de conduzir
Nossas vidas em plena harmonia.
Guerra!
Outro instrumento do homem
Sem o justo ato de benevolência,
Quando sabemos
Que algum dia nós não nos pertencemos;
Deus nos fez residir à Terra,
Para que pudéssemos
Apreciá-la de maneira acolhedora;
Não seja um entrave,
A todas as ideias que venham em benefício dos
seres;
Nós não lhes pedimos nada
Que a vida nos possa oferecer plenamente,
Apenas sua compreensão no sentido da
harmonia.
Medite por tudo quanto foi expresso,
E logo sentirá a largueza da paz no seu interior;
Não o faça egoísta a nova ideologia,
Quando diante de seus pés,
Pessoas perecem de fome por esse céu fendido;
Falta de alimento?
Ou por negligência de todo um sistema,
O qual nos assusta!
Etiópia, um cenário que chocou o mundo!
Aquela gente carente
Nós víamos o sofrimento desesperador
Por não terem o alimento para seu sustento
E quando estes chegavam a elas,
Já não suportavam tamanha angústia.
Ademar de Sousa Maria
30 de abril de 1987.
Jardim
Verde quanto a natureza,
Luzes cintilantes, que se desencadeiam
E enfeitam de profundo brilho;
A noite vem, dois corações a ti procuram,
Para falar de ternura
Ou contemplar tua realeza.
Algumas pessoas quando passeiam junto de ti,
Ficam perplexas com o verdejante dos teus
canteiros;
Outros, porém passam, como se ali não existisse o
formoso jardim.
Ademar de Sousa Maria
13 de abril de 1980.
Lamentação
Mas o que seria de mim
sem o seu afago,
Quando meu poder de
lamentação
Seria bem maior no mundo
da desilusão,
Sendo que não vejo a
hora de partir
Sem levar a
grandiosidade do seu amor.
Mas o que seria de mim
sem o seu afago,
Se nada faz sentido à
minha direção,
Mas caminho cavalgando a
solidão,
Pois o tempo é o meu
consolo
Na vivência de um novo
mundo.
Mas o que seria de mim
sem o seu afago,
Quando tudo à minha
volta não está em mim,
A luz que contorna meus
passos,
Já não brilha o meu
astral como antes,
E tudo se desfaz num
simples toque do adeus!
Ademar de Sousa Maria
16 de julho de 2017.
Minha Salvador
Se me perguntarem quem sou, direi:
Sou soteropolitano
Sou de São Salvador.
Majestosos são os teus encantos,
Pois Salvador renasce a cada instante.
Guardo-a, dentro do meu coração,
Minha Salvador, Salvador, meu admirável amor.
Cresce o quanto a desabrochar como uma flor,
Pois te venero, Salvador, Salvador, meu grande
amor.
Tua grandeza brilha em cada rosto,
A qual se faz nascer...
Como uma criança, Salvador só a crescer.
Tuas igrejas são as tuas magnificências,
Senhor do Bonfim nos corações,
Grandiosos milagres fazem engrandecê-lo.
Ao povo baiano e a toda gente,
Com fé e orgulho tu és,
Minha Salvador, Salvador, meu amor.
Salvador, tu és nobre por natureza,
Teu esplendor não se esconde
Aos olhos de quem sempre a vê.
Por entre ruas se cruzam,
Pessoas, que por encanto se fascinam,
Duas cidades têm a minha encantadora Salvador.
Tuas praias são as mais esplendorosas
A formosura se fez nascer...
Minha Salvador,
Tua grandiosidade, só a enternecer.
Ademar de Sousa Maria
20 de agosto de 1981.
Nossas matas
Sinto-me profundamente pasmo,
Com as constantes devastações das nossas matas;
O homem as destroem como se elas
Nada representassem para a vida dos seres;
No entanto, são conhecedores de causa:
desequilíbrio do planeta,
E consequentemente, de todos nós.
Planta!
Quando poderíamos cultivá-la
Em algum espaço do nosso convívio social,
Em cada avenida e por todos os arredores da cidade,
Pois só assim, teríamos uma imensidão de árvores,
Uma verdadeira floresta ao alcance das pessoas;
Vamos contestar ao desmatar nosso verde,
Alguns anos, centenas, não teremos
Dessa magnitude ao longo do nosso entorno.
Ademar de Sousa Maria
19 de fevereiro de 1982.
O limite!
Homens,
Procurem limitar suas ideias
No alargar de novos projetos atômicos;
Sinto, pois, não haver razão para voar
Ao além-mundo da sua imaginação,
Quando o nosso planeta
Carece, sobretudo, da atenção
Por parte de todos nós,
E não como centro de bases nucleares.
Mas para que tanta desavença entre as nações?
Quando na verdade, não passamos de pó,
Ou talvez queira transformar
O Universo em chamas,
Na intenção de mostrar aos inimigos
Seu poderio de força,
Julgando não se fazer presente
Diante desse aterrorizante tormento.
Silêncio maldito
Permanecerá num plano superior
E na memória de todos nós,
Mas para que tanto ódio,
“Filhos de Abraão”?
Não percebem que não nasceram para matar
Pelo tormento infernal, a grandeza que é o seu o
irmão!
Ademar de Sousa Maria
Por um gesto mais
humano
Eu estou convicto da necessidade
De convencermos as pessoas da virtude, paz;
Não importa a quem semeamos essa mensagem
Por certo da dignidade nascerá em seus corações;
E não me pergunto em levar adiante
Essa ideia de união entre eles,
Pois a minha fé em Deus é tamanha,
Sem que eu venha fraquejar por tê-la em nós.
Ouso-me indagar: por tanto ódio para com o próximo
e tantas guerras,
Quando sabemos que as consequências são
desastrosas;
Eu queria pensar em um mundo
Mais humano para todos nós,
E o que vemos: adversidades,
Abortos sem limites por esse Universo afora;
Será o lógico? Não percebem a vontade desses seres
viverem!
Certamente algum dia, vamos carecer da harmonia,
Não é o bastante viver,
Mas, sobretudo, engrandecê-la
A profunda nobreza, por tê-la em nós.
Ademar
de Sousa Maria
22 de fevereiro de 1987.
Quilombo dos
Palmares
Serra dos Palmares
A fortaleza de refúgio dos escravos;
Quando acontecia determinada evasão
Na fazenda dos senhores de engenhos,
Simbolizava a expressão de liberdade;
Com o arremessar dos anos, nasceu um menino,
E as pessoas daquela redondeza rezaram,
Para que ele se desenvolvesse destemido e
forte,
Para que isso acontecesse de verdade,
Deram-no o nome de Zumbi
Que representava o deus da guerra,
Que daria aos patrícios a certeza de serem
livres,
Mas ele não conteve as armas sofisticadas:
canhões;
Mesmo assim lutou pela tamanha agudeza de sua
coragem
E vindo a ser baleado com dois tiros,
Certo tempo depois, foi encontrado e morto;
Os brancos cortaram a cabeça dele
E colocaram-na em uma praça pública,
Para que alguém não se conduzisse
Da mesma maneira que Zumbi,
Mas ele vive em sua gente pela sua bravura,
Por dedicar toda a sua vida em prol do seu
povo
Ademar de Sousa Maria
5 de maio de 1987.
Renascer
Por quem chamarei?
Gotas que caem sobre a terra,
Desencadeiam como orvalho,
A derramar sobre ela,
O sustento
Por novo renascer.
Gotas,
Eu peço longa vida
Para este sertão sofrido,
Cobrindo sobre ele
Com o véu da esperança,
Que fará no dia a dia,
O germinar de quem o sustenta.
Ademar de Sousa Maria
2 de fevereiro de 1986.
Separação entre povos
Eu preciso encontrar
Uma resposta de paz para as duas nações irmãs;
Ou talvez, ir às profundezas de suas ideias
Para examinar seu propósito
De separação das duas pátrias;
Quando na verdade,
Somos seres humanos da mesma distinção.
É de conhecimento de todos nós,
Quando o Criador
Estabeleceu a Terra para nosso convívio,
Fez-nos soberanos,
Mas sem que houvesse, sobretudo,
Desigualdade entre nossos entes amigos.
Mas para que tanta prepotência
Para com o semelhante?
Quando na verdade, não passamos de pó;
Procure em si mesmo
O real sentido da própria vida
E verá que tampouco,
Nada fez em prol do seu irmão.
Ademar de Sousa Maria
19 de outubro de 1986.
Tsunami
Placas tectônicas da terra,
Da tônica força
Sobre as águas oceânicas;
O maremoto chamado tsunami.
Vem como um tufão,
Silenciosamente das suas ondas,
O imenso volume d’água;
E ao cabo de suas praias,
Avança direção adentro,
Destruindo tudo à sua frente;
E no retorno, o efeito sucção, tsunami.
Ademar de Sousa Maria
2 de fevereiro de 2005.
Uma criança
Ontem, tu foste uma criança
Hoje, tu és um adulto.
Esqueces as criancinhas
Como se fossem objetos sem valor.
Ou por que quando criança
Passeastes pelas mesmas penúrias ou aflições?
Pode ser que sim, pelos sofrimentos,
Mas, se olhares os tempos passados
Não serão tão deprimentes;
Sabes que agora és um adulto;
Esqueces essas criancinhas
Que amanhã serão
Os mesmos cidadãos de hoje.
Faças em ti
Nascer uma criança,
Dando-lhe afeto e carinho.
Ademar de Sousa Maria
12 de abril de 1980.
Vamos dar vida aos nossos rios
Nossos rios
Ao desencadear da sua grandeza, seu esplendor,
Translada em nós,
Seu admirável e imenso paraíso:
Através de seus seres, peixes, habitantes.
Nossos rios
Que ao longo de seu curso padece,
Quando é lançado destroço em suas águas;
Não se perguntariam os homens
Pela estúpida insensatez!
Destruindo-os, lentamente em sua plenitude.
Nossos rios
Que poderiam estar cintilantes como anteriormente,
Esse imenso tapete cristalino,
E não a receberem detritos;
Vamos todos nós, conscientizarmos de fato,
Ao vermos nossos rios
Não como verdadeiro depósito de lixo,
E sim como o mais deslumbrante
E de duradoura existência em nosso planeta.
Ademar de Sousa Maria
21 de outubro de 1983.

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