Elevador Lacerda
Fonte: https://pt.wikipedia.org/wiki/Elevador_Lacerda
O Elevador Lacerda é um sistema de transporte público da cidade de Salvador, capital do estado brasileiro da Bahia. Trata-se do primeiro elevador urbano do mundo. Em 8 de dezembro de 1873, quando a primeira torre foi inaugurada, era o elevador mais alto do mundo, com 63 metros. A estrutura atual, de 1930, tem 72 metros de altura. Faz o transporte de pessoas entre a Praça Cairu, na Cidade Baixa, e a Praça Tomé de Sousa, na Cidade Alta. É um dos principais pontos turísticos e cartão-postal da cidade. Do alto de suas torres, descortina-se a vista para a Baía de Todos-os-Santos, o Mercado Modelo e, ao fundo, o Forte de São Marcelo.
São duas torres: uma que sai da rocha e perfura a Ladeira da Montanha, equilibrando as cabines, e outra, mais visível, que se articula à primeira torre, descendo até ao nível da Cidade Baixa. O elevador mais famoso da Bahia chega a transportar 900 mil passageiros por mês ou, em média, 28 mil pessoas por dia ao custo de quinze centavos de real por passageiro, num percurso de trinta segundos de duração. Em 16 de janeiro de 2019, o Elevador bateu seu recorde de viagens em um único dia, com 33.850 passageiros.
História
Projeto
Salvador, província da Bahia (Rodolpho Lindemann, 1875).
A geomorfologia do local, dois planos separados por uma grande escarpa, era um problema durante a construção de Salvador e que foi crescendo com a expansão da cidade, tornando-se um desafio a ser vencido. A comunicação rápida e confortável entre os dois níveis era uma necessidade numa época em que o transporte era feito através de guindastes e ladeiras íngremes. Porém, o plano do baiano visionário Antônio de Lacerda ao idealizar o Elevador Hidráulico da Conceição - primeiro nome do Elevador Lacerda - não era apenas ligar a parte baixa e alta da cidade, era facilitar o transporte para o sul, sentido em que a cidade se expandia, articulando o elevador com as linhas de bonde.
O projeto foi construído em ambiente familiar. Reuniões entre o pai Antônio Francisco de Lacerda, dono de muitas propriedades, o irmão engenheiro Augusto Frederico de Lacerda, a esposa e o sogro, eram realizadas para discutir o plano revolucionário. As obras foram iniciadas em 17 de outubro de 1869 e sua inauguração de se deu em 8 de dezembro de 1872. Era de sistema hidráulico até 1906, quando, após passar por reformas, foi eletrizado pela Companhia Linha Circular de Carris da Bahia.
Construção e inauguração
O primitivo elevador, na década de 1920
A oportunidade de realizar seu projeto surgiu quando a firma Antônio de Lacerda & Cia, cujo principal sócio era seu pai, comprou os direitos de construção de linhas de transporte na encosta e a firma se transformou na Companhia de Transportes Urbanos. A inauguração do equipamento se deu três anos depois e o elevador ficou conhecido popularmente como "Parafuso". Em 1896, o nome oficial foi alterado para "Elevador Lacerda" em homenagem ao idealizador e construtor Antônio de Lacerda.
Após a sua inauguração, passou a ser o principal meio de transporte entre a Cidade Alta, onde se encontra o centro histórico, e a Cidade Baixa, local de concentração de atividades financeiras e comerciais em Salvador. Na estrutura inicial, os passageiros tinham de ser pesados individualmente, e o peso total dos passageiros a serem transportados era calculado e somando-os até atingir o limite máximo de segurança. O Barão de Jeremoabo (Cícero Dantas) assim registrou a pesagem dele próprio e de outras autoridades:
Em 16 de março de 1889 pesamo-nos no elevador, dando o seguinte resultado: Pinho - 54 quilos, ou 3 arrobas e 98 libras; Cícero - 61 quilos, ou 4 arrobas e 2 libras; Guimarães - 65 quilos ou 4 arrobas e 10 libras; Artur Rios - 73 quilos ou 4 arrobas e 26 libras; e Vaz Ferreira - 115 quilos, ou 7 arrobas e 20 libras.
Inicialmente operava com duas cabines, atualmente funciona com quatro modernas cabines eletrificadas que comportam 32 passageiros cada uma, com um tempo de permanência de 22 segundos.
Reformas:
O elevador à noite.
Várias mudanças foram introduzidas ao longo de sua história por cinco grandes reformas e revisões:
1. em julho de 1906 para a sua eletrificação;
2. em 1930 adicionaram-se mais dois elevadores e uma nova torre;
3. no fim da década de 1950, concluindo-se em 1961, o elevador passou por uma total reforma em sua parte mecânica;
4. no início da década de 1980 houve uma revisão na estrutura de concreto;
5. em 1997 foi feita a revisão de todo o maquinário elétrico e eletroeletrônico.
A reforma de 1930 conferiu-lhe a atual arquitetura em estilo art déco. As duas cabines originais foram ampliadas para quatro, sendo que cada uma delas com a capacidade de transportar até vinte e sete passageiros. A inauguração da obra deu-se a 7 de setembro daquele ano.
Foi tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, em 7 de dezembro de 2006.
Referências culturais
Doodle em homenagem aos 145 anos da inauguração.
"Quem chega na praça Cayru / E olha pra cima, o que é que vê? / Vê o elevador Lacerda / Que vive a subir e a descer / É o retrato fiel da Bahia"
— Riachão, "Retrato da Bahia"
No ano de 1963 o Trio Nordestino lançou seu primeiro disco contendo a gravação da música "Retrato da Bahia", de autoria do compositor Riachão.
Berço de Poemas (Ademar de Sousa Maria)
sábado, 2 de julho de 2022
"Imagem do Elevador Lacerda" - Salvador - BA
"Livro Algumas Histórias" - Modalidade Romance
A boiada
Seu Joaquim era um grande fazendeiro pecuarista do sul da Bahia, que investia o que fosse necessário para adquirir determinada propriedade. Era um homem de poucas palavras, mas com uma visão ampla nos negócios. Quando não concretizava o que estava em sua pauta, considerava descartado de seus planos. Seu projeto de vida era ampliar seus negócios dentro de uma política de renda promissora, já que ele não se permitia ficar com determinado investimento que não fosse lucrativo. Desse modo, ele ia conquistando novos amigos na cidade que morava, e respeitando a boa convivência por onde caminhava:
−Bom dia, compadre Joaquim.
−Bom dia, comadre Marly, a senhora tão cedo por essas bandas!
−Cedo, compadre Joaquim! Já passam das doze horas. O que houve? O senhor está tão moribundo, desnorteado, aconteceu alguma coisa? Já sei! Tomou alguns pileques?
−A senhora acertou minha comadre Marly; diante de um bom vinho, eu varei a noite inteira lendo o livro de Dom Casmurro; ao entusiasmo da história, a gente bebe um gole, e mais outro gole e perde as contas; no final de todo processo é uma tremenda ressaca.
−Percebe-se meu compadre Joaquim; na verdade, havia algum tempo que o senhor não fazia uso de bebidas alcoólicas. Quanto a minha comadre Judite, como ela está?
−Ela foi a Brasília, desfrutar suas férias na casa do Senador, seu afilhado, mas deve voltar no final do mês. Caso ela demore por mais tempo, é sinal de alguma pendência.
−A caseira, dona Matilde, compadre Joaquim?
- Ela está na cozinha, comadre Marly.
−Ela já serviu seu almoço, compadre Joaquim?
−Eu avisarei no momento oportuno; é, comadre, vamos deixar esses pormenores de lado, o tempo e curto e devemos aproveitar; conta-me da senhora, o que a traz aqui?
−Para eu ser sincera, compadre Joaquim, vim negociar gados.
−Gados! Uma empresária de requinte quer mudar de ramo.
−Não é bem isso, compadre Joaquim. Minha filha Rebeca, a futura veterinária, como o senhor sabe, ela está fazendo faculdade no Rio de Janeiro; tão logo termine o curso, por sinal é o seu último ano, ela pretende ser fazendeira; para tanto, coube-me essa tarefa: comprei uma excelente fazenda e ficamos quase seu vizinho no ramo dos negócios.
-Conta-me comadre Marly, a senhora fez negócio com quem?
- Com meu compadre Onofre.
−Haja vista, a senhora fez um ótimo investimento. Na verdade, sempre houve grande interesse de minha parte àquela fazenda, mas depois mudei de ideia, e apliquei em gados da raça nelore e o negócio foi satisfatório. Em pouco tempo, eu ganhei bom dinheiro.
−Compadre Joaquim, eu gostaria de fazer-lhe um grande pedido.
−Conta-me comadre Marly! O que a senhora deseja?
−Pois bem, compadre Joaquim; sua afilhada é principiante no ramo da agropecuária e por isso eu gostaria que o senhor me desse todas as informações necessárias das quais ela precisa nessa nova jornada que demanda grande investimento para alavancar.
−Comadre Marly, eu estarei a disposição dela no que for preciso; veja bem, aqui em minha fazenda, a área total dela é de duas mil hectares de terras e uma criação de mil e quinhentas cabeças de gados, divididas em três mangueiros; nela, eu tenho dois médicos veterinários, Dr.ª Maria e Dr. João; quatro vaqueiros e trinta homens trabalhando para o bem-estar dela e de todos nós. Comadre, a alma de tudo isso foi a invenção da informática. Pois ela é toda informatizada e por isso fica fácil tocar os negócios; aqui, minha afilhada pode ambientar-se e fazer seu próprio estágio. Dr.ª Maria é uma alma em pessoa, cuida dos rebanhos com todo carinho e por isso tenho plena certeza do sucesso dela; temos também o senhor Pedro, vaqueiro líder, pessoa de plena confiança, que lhe dará todas as informações devidas, pois ele trabalha comigo há vinte anos e sem sombra de dúvidas, ela fará uma nova família nos negócios. Eu tenho certeza que ela tenha esse requisito.
−Eu fico eternamente grata, meu compadre Joaquim, diante de suas belas palavras de incentivo e disponibilidade em prol da minha filha; em face a tudo isso, eu tenho plena convicção do aproveitamento dela como veterinária, pois será de grande valia para sua vida profissional; no mais, é pedir a Deus clareza para as dificuldades que pudesse surgir no cotidiano de sua existência a partir da dedicação em uma área muito promissora.
Cinco anos depois de muita dedicação, a principiante Dr.ª Rebeca tornou-se uma das maiores fazendeira daquela redondeza; mulher de estima única, competente em suas decisões. Seus negócios caminhavam a passos longos, rendendo bons frutos quanto ao do senhor Joaquim; mesmo diante de tudo isso, sua humildade nesses anos de luta conferiu-lhe em grandiosidade, elogios do seu amado padrinho e todas as pessoas à sua volta. Isso foi confortante para a sua trajetória como mulher e fazendeira; mesmo sendo concorrente do seu querido padrinho Joaquim, ele sempre estava presente à suas dúvidas. Com larga experiência como pecuarista, o senhor não deixaria sua amada afilhada em apuros.
Sua fazenda ficava alguns quilômetros distante da propriedade de seu Joaquim, com uma área de mil hectares de terras, dividida em dois mangueiros, que comportava em cada área quinhentas a setecentas cabeças de gados da raça nelore. Dr.ª Rebeca era uma mulher muito empoderada para além do seu tempo; ela aprendeu a negociar gado com ajuda do seu padrinho, e sua convivência diária com sua mãe, que era a administradora da fazenda. Tudo isso, somado ao seu esforço, lhe conferia bom resultado no final da safra, que muito lhe estimulava na comercialização dos animais. A proprietária se sentia orgulhosa quando presenciava o pasto repleto de gados, pastando e deliciando do alimento preferido que era o capim gordura ou ração vitaminada para engorda dos animais. Diante disso, eles ficavam fortalecidos pelo retorno que viria tranquilamente quando do abate das espécies.
Havia naquela mulher o equilíbrio da força feminina. Sua intuição estava além de seu tempo quando se tratava dos seus objetivos. Admirada por todos da região, fazia com que alavancasse seu voo para novos horizontes. Sua propriedade se destacava dos demais latifundiários, uma vez que ela contribuía para redução do efeito estufa, plantando árvores em seu mangueiro. Com isso, ela ganhava crédito do governo, e a visitação ao seu modelo de empreendimento lhe conferia prêmios pelas entidades governamentais. Nesse sentido, ela era destaque internacional através da mídia televisiva. Dr.ª Rebeca se sentia a mulher dos sonhos realizados por ser vencedora em sua conquista pelo social. Dessa maneira, ela seguia sua vida distribuindo simpatia a todos da redondeza, o que lhe conferia uma grande amizade com muita credibilidade as pessoas à sua volta, proporcionando ótima harmonia à clientela pela tamanha convivência à renomada pecuarista na pessoa de Rebeca.
Ademar de Sousa Maria / 3 de fevereiro de 2008.
Amigo Lud
Na redondeza de Mundo Novo, distrito da Bahia existia uma turma de cachorro que desconsiderava a vida luxuosa, mas acreditava que estaria participando de uma associação responsável, que atendesse seus valores sociais. Quando na verdade, eram inferiorizados por um processo civilizatório estruturado e autoritário contrário aos seus costumes, onde predominava o abuso pelo poder. Propósito esse, que em muito, reportava as pessoas mal-intencionadas e jamais permitiam a liberdade de expressão, maltratando-os sem nenhum julgamento de causa, quando o local de laser era livre para todos os componentes.
Isso acontecia por um longo período de tempo nos arredores de nosso convívio, sem que as autoridades intervissem pela prática desse absurdo conceito, que estimulava o ódio aos nossos amiguinhos. Eles entendiam que a democracia se constituísse pelo respeito, e a liberdade de manifestação sem denegrir a imagem do seu semelhante. Com esse sistema de ideias, surgia grupos de cães engajados nesse propósito para o benefício da cachorrada. Aos poucos, sem o despertar da sociedade, dava-se início a algumas passeatas pelas ruas da cidade por uma causa nobre nos tempos atuais, certificando algumas mudanças.
-Ah, quantos amiguinhos gostariam de ter seu nome, Lud!
−Ora, ora, nome de Lud, retrucou fofinho, mas que desprazer turma, quando tenho caracteres superiores a ele; altura é o que não me falta, patas bastantes largas, focinho e boca elegante, meu latir nem se fala... Nome de Lud, só o que me faltava caro Fred.
−É, amigo Fofinho, respondeu Fred. Você é o nosso comando; tem postura, elegância e dinâmica nas nossas decisões, enfim; é o que nós precisamos. Delicadeza a flor da pele não se põe à mesa, já que o nosso propósito é a socialização entres os companheiros.
Todas as manhãs, seu Orlando, dono do cachorrinho Lud, levava-o para um breve passeio no jardim da cidade; de vez em quando, ele se apresentava aos seus amiguinhos, muito delicadamente, latia sem permitir barulho. A cachorrada apreciava-o de longe, na maior das atenções. Isso porque a sua elegância era assustadora aos olhos da gente.
−Vocês já viram amigos, parece passeio a fantasia; rau, rau, rau... Palavras do amigo Fofinho. Eu não posso acreditar no que estou presenciando, falta empoderamento.
−É, Fofinho, você tem razão, respondeu Fred; todo enfeitado de roupa luxuosa, com uma coleira sofisticada, ora, ora, ora, deixa-me... Onde já se viu tanto enforcamento.
−Você diz isso, Fred, enfatizou Fofinho!
-Eu vou me calar amigo Fred, para não falar bobagem das coisas ridículas que vemos no nosso dia a dia. Na verdade, é da liberdade que todos nós precisamos... Liberdade.
−Que liberdade Fofinho, você fala?
−Ora, Fred, eu falo da liberdade de expressão; no que concerne o direito de expressar seu posicionamento sem denegrir a imagem do semelhante, enfim; mas que ela seja uma democracia respeitosa, sempre pautada nos valores morais em uma sociedade plena.
−Ah! Agora entendi, Fofinho!
Certo tempo depois, Lud foi morar na cidade grande, ficando seus admiradores e a turma do amigo Fofinho naquela redondeza, discutindo sobre os novos projetos de vida. Grupo que não se permitia maus tratos aos seus amigos cachorrada. A princípio formaram uma associação no bairro onde residiam e estabeleceram um corpo de ministro às causas da cachorrada mais vulnerável. Já era um bom começo para que a entidade desenvolvesse seu trabalho social dentro do espírito da liberdade social. Proposta que Fofinho teve a sua aprovação incondicional dentro de uma isonomia da liberdade a cachorrada de rua.
A tarefa não foi fácil, mas com o passar de algum tempo já havia um bom número de associados para o bem-estar de todos eles. Fofinho estava na condição de presidente dessa entidade, mas sem poder de veto para decidir o pleito da votação na assembleia. Com isso, fortalecia o conceito da entidade nas causas sociais. Estava naquela instituição o amparo para seus seguidores por uma condição respeitosa por indivíduos que desrespeitassem as normas inferidas pelo estatuto dos direitos dos animais. Nesse parecer, ela era categórica e não aceitava meras desculpas diante do incriminado em sua audiência de custódia.
Ao longo desses anos, notamos que houve grande avanço pela causa dos animais de rua a partir de associações protetoras dos animais, melhorando significativamente todo o processo de adoção e qualidade de vida das espécies. Movimento que foi relevante no bom andamento de causa nobre, fortalecendo a ideia de que eles são seres vivos e grande amigo do homem, que em certo momento guardião do seu patrimônio. Diante desses predicados, só nos resta produzir saberes em prol desses heróis, que tanto tem solucionado tarefas que jamais alguém faria com tamanho entusiasmo da alma quanto ao nosso leal amigo.
Ademar de Sousa Maria / 30 de dezembro de 2009.
A lavadeira
Senhora Judite e suas duas filhas Margarida e Gorete eram umas das lavadeiras da região do rio de Contas, interior da Bahia. Faziam este serviço de lavagem de ganho para o sustento da casa, que era de seis pessoas, ela, marido e quatro filhos. Ela era uma pessoa diferenciada se comparada as outras lavadeiras; sua ida ao rio de contas se dava uma vez por semana acompanhada das duas filhas mais velhas, enquanto as outras companheiras estavam todos os dias na empreitada. As roupas pertenciam à família do Dr. Claudionor, médico e grande pecuarista daquela cidadezinha e patrão do seu querido marido.
Suas duas filhas estudavam à noite o que facilitava na tarefa empreendida por ela. Morando perto da cabeceira do rio, não havia empecilho para que elas não frequentassem as aulas. Nesse aspecto, senhora Judite era severa, não se permitia que as filhas faltassem as aulas sem que houvesse uma justificativa a altura do acontecido. Dizia ela: “Filho dela não vai à escola para brincar, e lugar de zonzeira é fora da aula”. Ou seja, no recreio. Estava bastante feliz com a vida, já que a filha mais velha, Margarida, iria colar grau no ensino médio no final do ano letivo; dois meses antes desse evento, tudo lhe fazia radiante e não havia felicidade que lhe coubesse de tanto orgulho pela grandiosidade conquistada.
Senhora Judite era uma pessoa de sorte. Trabalhando na condição de lavadeira da família do Dr. Claudionor, não pagava consulta e nem remédios, isso porque ela e seu marido eram pessoas estimadas do médico que prestavam excelente serviço. Diante dessa perspectiva, ele registrou toda família do Sr. Fortunato na cooperativa do agronegócio da região. Era uma espécie de atendimento às famílias dos empregados daquela região. Nessa instituição havia posto de atendimento médico e demais serviços pertinentes a saúde. Para Dr. Claudionor, o bem-estar de seus funcionários deveria vir em primeiro lugar, para que eles pudessem executar as suas tarefas com a satisfação que esbanjasse do coração.
Mulher de estima única, senhora Judite tinha a visão de mudo que lhe configurava acertar grandemente sua vida. Filha de pai viúvo, desde cede foi regrada ao trabalho para se sustentar em um mundo que pouca gente estende a mão a uma pessoa. Foi uma jornada árdua até encontrar o seu marido Fortunato, que juntos formaram uma vida sem muito recurso, mas sempre foi dada ao trabalho para obter o necessário para sua sobrevivência. A lavagem de ganho foi um sinônimo de perseverança na vida do casal em se tratando do futuro dos filhos, acreditando que eles teriam o futuro melhor em relação aos pais.
Entendia que era pelo trabalho que se conseguia um espaço ao sol para viver com tranquilidade em uma sociedade competitiva, onde a minoria detém a riqueza e a maioria se distancia de um social igualitário digno para a sua sobrevivência. Ela sempre afirmava que Deus foi generoso para os seus familiares na condição de pessoas humildes, em uma cidade que muita gente se entendem e pouca gente se conhece de verdade. Isso fazia dela uma mulher diferente, mas presente as pessoas ao seu entorno. Tudo que conquistou foi com muita perseverança aos seus objetivos e sua confiança interminável no Criador.
Estava naquela senhora a sua disposição para ir em busca de novos horizontes, mas respeitando seu semelhante em seus empreendimentos. Mesmo com pouco conhecimento na arte da leitura, sabia discursar com pessoas mais letradas em benefício da sua família. Seu propósito na vida era ver seus filhos formados, com outra dimensão de mundo capaz de resolver suas questões de cunho social numa sociedade individualista que não atendia as pessoas em suas necessidades básica. Senhora Judite estava muito maravilhada diante do adquirido nos seus longos anos de existência, e enxergava em seus filhos o resultado do seu sucesso em uma mulher do espírito guerreira, em se tratando do bem-estar a seus familiares. Isso fazia com que ela refletisse sobre a vida em sua longínqua trajetória.
A grandiosidade em Judite era de despertar contentamento a todos da redondeza e principalmente ao patrão e pessoas mais distantes, por produzir saberes aos seus quatros filhos a partir da lavagem de roupa. Pessoa humilde de uma cidade do interior, tinha uma visão de brilhantismo ao seu horizonte, que direcionava a sua direção para um universo promissor o que certamente, fazia dela uma pessoa abençoada. Ela se sentia uma pessoa do dever cumprido; suas duas filhas formadas em professora na área de Letras Vernáculas e seus dois filhos formados na área de arquitetura. Ela estava maravilhada pela tamanha grandeza produzida nesses longínquos anos de lutas, mas valeu todo seu esforço por haver edificado seu sonho na rocha e não seria abalada, porque foi erguida pelo Criador.
Ademar de Sousa Maria / 13 de agosto de 2020.
Amizade incontestável
No Vilarejo de Santa Rosa, Bahia, moravam duas pessoas distintas! Um senhor de idade aparentando seus noventa e cinco anos e um rapaz de aproximadamente seus trinta e cinco anos. Os dois tinham atitudes e gostos deferentes, mas as ideias eram convergentes no que se referia ao modo de ver um mundo melhor para o semelhante. Sr. Herculano era estudante Universitário, que gostava de esporte e política, e adora passeios e festas quando o tempo assim o permitia, porém em algum momento, os estudos estavam em primeiro plano, já que conseguiu passar no vestibular com muito esforço e ajuda de seus pais.
Sr. Carlos era um homem muito disposto apesar da idade avançada, adorava um bate papo informal com os parceiros da sua idade. Seu esporte preferido era a pesca; sempre que podia, reunia alguns amigos e iam a pescaria em uma lagoa próxima da casa. Adorava também política; para ele, votar era um ato sagrado, escolher bem o seu representante. A leitura para ele era algo primordial, dizia seu Carlos: “o homem sem um livro é como se fosse um poço vazio, sem nenhuma forma em sua contextura”. É dessa maneira que o Sr. Carlos conseguia viver sua vida, compartilhando essa filosofia as pessoas ao entorno:
- Olá, meu caro Herculano, o que pretende fazer com tantas malas?
- Desejo ir a algum lugar que eu não conheço, Sr. Carlos!
- Mas claro que sim caro Herculano, um lugar bem distante, do qual não o conheço.
- Diga-me Sr. Carlos, o que o senhor tem feito nesses últimos anos?
-Não muita coisa que me agrade, meu caro Herculano! Meus noventa e cinco anos da conta das minhas limitações, mas eu estou sóbrio o bastante para navegar minha vida, ademais ela é muito preciosa, pois não existe outra coisa melhor se comparada a ela.
-Se eu pudesse Sr. Carlos, eu passaria horas e horas jogando conversa fora com o Sr. É claro, no bom sentido! O Senhor é um poço de informação, uma biblioteca em pessoa. Eu percebi a sua ausência nessas últimas semanas nos arredores de nosso convívio.
-Eu estive na casa de minha filha, meu caro Herculano. Eu fui ver meus netos e levar uns presentes para eles e um abraço no coração dela e deles também. Eu estou sabendo de sua viagem para o exterior, mas a conversa se espalhou de tal maneira que eu esqueci de indagar sobre esse passeio tão distante, que repentinamente mudou a sua rotina, mas conta-me de suas andanças a lugares longínquos e grandioso quanto ao meu Brasil.
-Tudo bem Sr. Carlos, eu estarei de viagem para o Canadá. Vou fazer um passeio nessas minhas férias, quem sabe sairei casado de lá! Talvez encontre a cara metade.
- Mas o caro Herculano não já tem esposa!
-Claro que não Sr. Carlos, eu tenho trinta e cinco anos e ainda solteiro. O tempo não permitiu que eu me casasse, pois estava cursando a Universidade e por isso não havia essa preocupação, agora que a poeira baixou, pretendo encontrar a pessoa correspondida.
- Mas logo da Alemanha, meu caro Herculano
- Não Sr. Carlos, do Canadá
-Por que não da Bahia, meu caro Herculano? Aqui tem mulheres magníficas, basta escolher! Acredito que um olhar mais apurado o amigo encontre a mulher desejada.
- Não Sr. Carlos, Eu só quero mesmo a Canadense, é a minha paixão.
-Fazer o quê, meu caro Herculano! O nobre amigo implicou com a Canadense, que seja a Canadense! Olha, traga-me uma pequena lembrança dessa terra tão distante. Ficarei honrosamente grato! Não vejo necessidade de grandes presentes, que seja do coração.
- Não se preocupe Sr. Carlos, trarei com muito orgulho!
Terminada as férias, seu Herculano prolongou seus dias por mais três meses de uma estadia pela Europa. Aproveitou o longo descanso para conhecer Paris, paixão preferida em sua agenda. Conheceu a Torre Eiffel e pontos turísticos da cidade da luz. De volta a sua terra Natal, se incumbiu de presentear o Sr. Carlos com um relógio de bolso, certo de que ele gostaria muito. Chegando à terra querida não foi possível encontrar a pessoa que ele mais estimava, em virtude de seu falecimento, mas guardou com muito carinho o presente que certamente ficaria como a eterna lembrança nos seus longos anos de existência.
Diante desse acontecido, ele resolveu residir definitivamente no Canadá, em virtude do seu maior amigo partir para a eternidade, uma vez que as recordações estariam em sua memória todas as vezes que ele se dirigisse a sua residência. Mas estava devidamente certo que faria bem ao seu coração se distanciando das emoções. Para que o amigo Carlos não ficasse no esquecimento, ele resolveu homenageá-lo com um busto na praça da amizade no Vilarejo de Santa Rosa, Cidade onde nasceu. Sr. Herculano estava certo que todos os amigos não se fariam ausentes a pessoa que tanto se destacou com a palavra amiga.
Ademar de Sousa Maria / 11 de outubro de 2020.
"Imagem do Elevador Lacerda" - Salvador - BA
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